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TMRJ homenageia a bailarina Cecília Kerche com lançamento de e-book

“Se uma russa atravessou os mares (Tatiana Leskova) e trouxe para o continente americano o ballet ‘O Lago dos Cisnes’ em quatro atos, uma bailarina brasileira realizou o caminho inverso dançando o ballet completo na terra de seus criadores. Foram três temporadas memoráveis: A primeira em 1989 nos teatros de Tashkent, Odessa e Novosibirsky, a segunda em 1994 em Bashkiria (Urais) – a terra natal de Rudolf Nureyev – e a terceira em 2005 quando a bailarina brasileira foi convidada por Natalia Makarova para estrelar sua primeira produção na Rússia – no Festival Diaghilev em Perm. Para além da Rússia, Cecília ainda dançou este ballet em Cuba, Inglaterra, Argentina, Coreia do Sul, Chile e no Brasil”.

A declaração acima é de Paulo Melgaço, professor e pesquisador da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, a mais antiga instituição de dança clássica do país. Ele é autor do e-book em formato de exposição virtual “Do Theatro Municipal para o mundo – Cecília Kerche, uma bailarina made in brazil”, que terá live de lançamento nesta quarta (06/10), às 19h, no Youtube e Facebook do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ).

Cecília Kerche em ‘O Lago dos Cisnes’. | Foto: acervo Cedoc TMRJ

A ideia de contar através de um livro a trajetória da primeira bailarina começou com Hélio Bejani, diretor da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (EEDMO) e regente interino do Corpo de Baile do TMRJ.

“Assim que recebi a informação de que nossa primeira bailarina Cecília Kerche estaria encerrando definitivamente suas atividades institucionais dentro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, como atual regente do ballet do Theatro Municipal, não pude deixar esse momento se concretizar apenas como uma simples ação administrativa. O legado deixado por Cecília enquanto um dos maiores nomes da dança, tanto no cenário nacional quanto internacional, é de extrema importância para nossa memória cultural e a elaboração desse e-book é um primeiro movimento que solicitei ao Professor Paulo Melgaço para mantermos viva essa memória, não permitindo que acontecimentos como esse continuem passando desapercebidos, sem a devida importância! Foi através de muita dedicação e comprometimento com sua arte que Cecília se tornou uma representação ímpar do nosso ballet e gratidão é o sentimento que pode descrever da melhor forma este momento. É um ciclo que se encerra dentro de uma carreira brilhante que certamente seguirá através de sua experiência e conhecimento inspirando novos talentos dentro do próprio Theatro Municipal e pelo mundo a fora”, reconhece Hélio Bejani.

Cecília Kerche tinha hiperextensão dos joelhos (na linguagem popular “perna em x”), o que a destacava ainda mais nos saltos como neste grand jetté, em Dom Quixote. | Foto: Robson Drummond

A arte de dançar exige esforço, perseverança, dedicação, aptidão e muita disciplina. Para contar a trajetória de Cecília Kerche, o TMRJ faz uma homenagem à primeira bailarina que tanto representou o nosso Theatro e o Brasil inteiro, nos quatro continentes do mundo. Reconhecida internacionalmente, Cecília dividiu o palco com os maiores bailarinos do mundo como Fernando Bujones, Maximiliano Guerra, Igor Zelenskie e Carlos Acosta.

Ballets de repertório como Giselle, La Bayadère, Dom Quixote, O Lago dos Cisnes, Onegin, entre tantos outros, vão fazer parte do bate-papo que vai contar com Cecília Kerche, Hélio Bejani e Paulo Melgaço. Diversos depoimentos de colegas, amigos e grandes nomes da dança farão parte desta homenagem merecida à dama do ballet que está se aposentando do cargo, mas que vai seguir multiplicando os seus ensinamentos de modo insubstituível.

Sobre Cecília Kerche

Cecilia Kerche aos 11 anos. | Foto: arquivo pessoal

Nascida em Lins, interior de São Paulo, no dia 14 de outubro de 1960, Cecilia do Carmo Oliveira Kerche é filha dos professores Lourival Kerche e Olira de Oliveira Kerche. O início dos estudos de ballet se deu 1968, em Osasco, quando a jovem bailarina estava com oito anos de idade. Sua primeira professora foi Vera Mayer na Escola Municipal de Ballet daquela cidade.

Sete anos depois, a jovem bailarina se mudou para Osasco e graças a uma bolsa de estudos pôde estudar no Centro de Dança Halina Biernacka, uma das principais escolas de dança do país. Foi nessa escola que ela conheceu aquele que seria seu grande parceiro de arte e de vida: Pedro Kraszczuk. De professor de ballet, ele passou a criar sapatilhas para ela, depois ensaiador e marido. Eles casaram em 1980. Com isso, Cecilia Kerche construiu sua grande meta de vida: se tornar primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

O desejo foi perseguido com muito trabalho e dedicação, aulas e mais aulas, e muitos ensaios. Cecilia Kerche permaneceu em São Paulo até os 21 anos quando, em 1982, foi aberto concurso público para o corpo de baile do TMRJ. A decisão de participar foi imediata, era a oportunidade de realizar seu grande sonho. A bailarina prestou concurso, foi aprovada e sua estreia aconteceu exatamente no ballet Giselle. A partir deste momento, assistiríamos o nascimento de uma das mais belas carreiras consolidadas nesta casa, que levaria o nome do Theatro Municipal para as principais Companhias e Teatros do mundo, dançaria com os maiores bailarinos de sua época e seria coreografada por grandes mestres do ballet.


O que: e-book “Do Theatro Municipal para o mundo – Cecília Kerche, uma bailarina made in brazil”
Lançamento: 06/10/2021, às 19h
Onde: YouTube do TMRJ

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