Festivais/Mostras, Notícias

Núcleo Ajeum traz novo olhar sobre a morte em série de atividades do projeto IKU

Nesta quinta (25/11), o Núcleo Ajeum, do diretor Djalma Moura, estreia temporada totalmente gratuita do projeto Iku, que propõe tecer novo olhar sobre a morte, pensando nela não como uma oposição à vida, e sim como uma energia cíclica universal que está presente e é base dos afrossentidos que acolhem neste momento difícil de passagem.

A programação será aberta com o lançamento do videodança “IKU – A Morte um dia acolherá orí”, com exibição em canal fechado no Youtube de 25 a 28/11, às 19h e 22h. Já no dia 03/12, às 18h, no Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (CRD), o público poderá conferir a estreia presencial do espetáculo IKÚ (que segue com apresentações até 12/12) e o lançamento da segunda edição da Revista Ajeum, em formato físico e digital.

Durante a temporada, o Núcleo Ajeum reflete sobre a morte na perspectiva da Ikupolítica, sentindo as ausências, questionando os motivos e suas estruturas, mas se abrindo à possibilidade de celebrar esse ancestral que se foi, celebrar suas ações, sua existência e as contribuições para sua comunidade e família.

Foto: Raoni Reis

Através da dança, é construída uma narrativa que se potencializa ao imaginar outros mundos possíveis. Ao invés das causas da morte e do morrer, a abordagem segue para a construção da figura da morte e seus ciclos, suas passagens e trânsitos. Assim, diante das rupturas, dos desconfortos e da desorganização que a morte despeja no mundo, evoca os pactos necessários com as forças invisíveis para adiar esses desequilíbrios e preenchê-los com vida.

Para elaborar a dramaturgia o grupo foi em busca de estruturas africanas e afrodiaspóricas sobre a morte e o morrer. Para além da mitologia de Iku e suas funções no àiyé, o grupo procurou estabelecer outras encruzilhadas neste processo criativo, como o Cosmograma Bakongo, em que a vida tem uma profunda ligação com o sol, simbolicamente transitando entre o amanhecer e o anoitecer, e também a Kalunga, que representa a morte, mas também a liquidez de tudo aquilo que nos constitui.

“Para o povo bakongo, cada pessoa é um sol na comunidade que brilha e irradia durante a vida. Quando a morte chega é o momento de se despedir deste sopro da vida e anoitecer. Como na imensidão do mar, a Kalunga é um portal que nos mergulha em outro plano, o plano dos espíritos e ancestrais, e assim cada pessoa segue por novos caminhos espirituais”, comenta o diretor Djalma Moura.

O projeto Iku foi contemplado na 28ª edição do Fomento à Dança da cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.


O que: projeto IKU | Núcleo Ajeum
Quando: 25/11 a 12/12
Onde: São Paulo-SP
Centro de Referência da Dança
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Teatro Popular João Caetano
Youtube
Quanto: gratuito
Programação/Informações: nucleoajeum.com

Previous ArticleNext Article

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Send this to a friend