Eu danço

Lurdiana Tejas: celebridade da dança do ventre no Egito ‘made in brazil’

Vivemos a era das celebridades instantâneas, forjadas pelas visualizações e pelos likes nas redes sociais. Neste cenário, é certo que ganhar a atenção virtual requer uma dose de sorte, mas existem casos, como o da bailarina brasileira de dança do ventre Lurdiana Tejas, em que a repercussão virtual pode ser vista como “uma ajudinha do acaso” para coroar uma trajetória de trabalho.

Em outubro de 2020, um vídeo despretensioso de Lurdiana dançando, sem o figurino e maquiagem característicos da dança do ventre, em um salão de beleza na cidade do Cairo, no Egito, viralizou nas redes sociais, sendo o principal assunto por dois dias seguidos nas redes sociais do Cairo e de Dubai. O resultado foram entrevistas para TV e demais veículos de comunicação, capa de revista, convites para gravação de clipes musicais e uma agenda disputada para apresentação em eventos no Egito que trouxe um cachê a altura. Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, ela comentou que passou a ganhar em uma apresentação o equivalente ao que faturava anteriormente em um mês de trabalho.

Em dezembro de 2020, apenas dois meses depois do vídeo viral, ela já havia atingido a marca de 1 milhão de seguidores no Instagram. Atualmente, ela já passa dos 2 milhões. O sucesso alçou Lurdiana ao status de celebridade do Egito e, hoje, ela é considerada uma das melhores bailarinas do país.

Mas se o sucesso na internet catapultou sua carreira no exterior, literalmente, de um dia para o outro, a trajetória da brasileira de 33 anos, não foi tão simples. Natural da cidade de Porto Velho, Rondônia, Maria Lurdiana Alves Tejas nasceu em uma família muito humilde e cresceu cercada pela natureza. A mãe, também bailarina de dança do ventre, viajava o Brasil trabalhando e Lurdiana vivia com a avó materna. “Lembro que o marido da minha avó pescava e ela fazia tudo com frutas. Também preparava tapioca, açaí, tudo natural. Não comíamos carne porque era muito caro, então tudo mesmo vinha da natureza”, recorda a bailarina.

Aos 7 anos, ela foi morar com a mãe, que dava aulas em uma escola de dança em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Nesta escola teve seus primeiros contatos com a dança e se apaixonou pela dança do ventre. Foi aluna e depois professora na escola, sempre buscando aprimorar sua técnica na dança natural do oriente.

No início de 2017, um dia após terminar um casamento de sete anos, Lurdiana recebeu o convite de uma amiga, também bailarina e que morava no Egito, para ir trabalhar lá. Dez dias depois ela desembarcava no Oriente apostando totalmente em sua paixão pela dança. “Eu não tinha conta no banco, cartão de crédito e nem mala apropriada pra viagem. Peguei meu último salário, organizei o que pude, troquei alguns dólares e vim sem olhar para traz. Foi assustador, mas revigorante ao mesmo tempo”, relata.

Após um período morando em Alexandria, onde não se adaptou muito bem, Lurdiana conseguiu mudar para o Cairo, cidade onde reside atualmente, e deu a volta por cima. “Nos primeiros anos, financeiramente, não compensava estar no Egito, cheguei a pensar em desistir. Mas depois comecei a ganhar reconhecimento com meu trabalho e aqui tive a oportunidade de desenvolver minha carreira como bailarina profissional, o que no Brasil não seria possível”, comenta.

Atualmente, o nome de Lurdiana é sinônimo de Brasil no Egito. Sua rotina é intensa, com muitas apresentações em festas, casamentos e convites para ministrar workshops de dança do ventre.

Com o sucesso no exterior, a bailarina também conquistou a fama no Brasil, merecendo matérias em TV, internet e rádio sobre a trajetória da brasileira que conquistou o Egito com sua dança. Mas, apesar de afirmar sentir muita saudade de seu país, e sempre passar suas férias por aqui, ela não pretende voltar tão cedo e já tem planos de abrir sua escola de dança no Cairo.

“Não é fácil ser uma bailarina de Dança do Ventre no Egito. Enfrentamos muitos desafios e preconceitos, mas estou muito feliz, tenho conseguido mostrar que a dança é uma profissão e merece respeito em qualquer lugar do mundo”, finaliza.

Previous ArticleNext Article
Diretora do portal Dança em Pauta | Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de comunicação. Trabalhou em publicações segmentadas na área de entretenimento e cultura em Curitiba-PR, Maringá-PR e São Paulo-SP. Em 2010, lançou o portal Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. É coautora do livro “200 anos de Dança de Salão no Brasil – Volume 4” (2012), organizado pelo pesquisador Marco Antonio Perna.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Send this to a friend