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Espetáculo Desvio para o Azul, da Antônima Cia. de Dança, investiga noção de tempo

De 24 a 26/06, no Teatro João Caetano, a Antônima Cia. de Dança faz as últimas apresentações da temporada do espetáculo Desvio para o Azul, que investiga a noção de tempo a partir de diferentes percepções e conhecimentos. A obra tem direção de Adriana Nunes, que também está em cena ao lado das outras intérpretes-criadoras Camila Miranda, Isadora Prata e Naíra Gascon.

Desvio para o Azul é uma obra sobre o tempo, um olhar para as diferentes formas de senti-lo e uma tentativa de subvertê-lo. Para lidar com uma questão tão complexa, a companhia investiga esse conceito a partir de várias áreas do conhecimento, como a física, a geografia, a literatura e a filosofia.

O próprio nome do trabalho é uma referência a um conceito da física que explica como uma duração é percebida de acordo com a distância e como o tempo está diretamente ligado ao conceito de energia/movimento, e intrinsecamente ligado à ideia de espaço.

Outra metodologia importante usada pelo grupo nesse processo é o aprofundamento da escuta. As artistas apostaram em experiências de trocas e partilhas com outros artistas, pequenas entrevistas sobre como anda a relação das pessoas com seu tempo e deambulações pela cidade de São Paulo.

Um dos pontos de partida para esse processo foi o livro “Walkscapes – O Caminhar como Prática Estética” (2002), do autor italiano Francesco Careri, que inspirou a companhia a realizar longas caminhadas por São Paulo. A partir dessas derivas pela cidade, as criadoras começaram a se questionar sobre como se colocar numa relação com o tempo diferente da que se tem cotidianamente, como diminuir simbolicamente as distâncias entre as periferias e o centro da cidade; e como estabelecer vínculos entre seus corpos e os espaços percorridos.

A partir de todas essas pesquisas, a companhia passou a refletir: “O tempo é relativo, é curto, é metafórico, é histórico, está em falta, está sobrando, é inevitável, é acontecimento, é memória, é projeção e pode ser sintoma de desigualdade. Como é a relação com o tempo de um morador da periferia, que gasta muitas horas em deslocamentos, em comparação a um morador do centro, que mora perto do trabalho?”.

Assim, na dança, antes de propor todas essas reflexões, as intérpretes começam convidando o espectador a se colocar num outro tempo, longe da pressa e da efemeridade, para então mergulhar no universo da memória, nas projeções para o futuro e nas reflexões sobre como estamos vivendo o tempo do presente.


O que: espetáculo Desvio para o Azul | Antônima Cia. de Dança
Quando: 24 a 26 /06 | sex e sáb, 21h – dom, 19h
Onde: Teatro João Caetano
Rua Borges Lagoa, 650 Vila Clementino | São Paulo-SP
Quanto: gratuito
*ingressos distribuídos uma hora antes de cada sessão

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