Comportamento, Em pauta

Vem dançar! Vá além do ‘dois pra lá, dois prá cá’ e conquiste prazer, boa forma e saúde

A dança de salão não é apenas uma arte, mas uma atividade física completa, que alia exercício com diversão e, por isso mesmo, propicia uma série de benefícios à saúde do corpo e da mente. Entre eles, o aumento da flexibilidade, a correção da postura, o fortalecimento dos músculos e dos ossos, a melhoria dos sistemas respiratório e cardiovascular, da coordenação motora, a perda de peso, o controle da pressão arterial, da taxa de colesterol, do diabetes, além de funcionar como uma verdadeira terapia, levantando a autoestima, prevenindo o estresse, a depressão e melhorando o relacionamento interpessoal, pois estimula o convívio social, a desinibição e a desenvoltura.

Não importa o ritmo – bolero, samba, salsa, forró, tango, zouk, etc – e não se preocupe se você não é um daqueles “pés-de-valsa” preparados para exibir grandes performances. O que importa é se deixar levar pelo prazer que a dança proporciona e tirar o melhor proveito de todos os benefícios que ela traz.

Para explicar mais sobre as mudanças positivas que a dança de salão pode proporcionar, o portal Dança em Pauta conversou com o dançarino, coreógrafo e professor Carlinhos de Jesus, e com a médica e bailarina Izabela Lucchese Gavioli.

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Foto: Marluce Balbino/ Dança em Pauta

O PRAZER DO MOVIMENTO

“Posso dizer que te amo, que te quero ou que te odeio. Posso ser surdo e mudo, mas dançando o corpo ganha voz”, Carlinhos de Jesus.

Para Carlinhos de Jesus a dança não tem limites. Ele a define como “a libertação do movimento” e explica que, dançando, o corpo fala e cada ritmo transmite um tipo de mensagem. “Posso dizer que te amo, que te quero ou que te odeio; posso ser surdo e mudo, mas dançando o corpo ganha voz”, ressalta.

O consagrado profissional diz que a dança libera força interior, gera bem-estar e satisfação, por isso não só previne contra doenças, mas pode até curar algumas, como a depressão. “A gente vê a satisfação na fisionomia das pessoas que dançam. A pele fica até mais bonita, porque libera serotonina, substância responsável pela hidratação”, comenta. Já para os tímidos, ele garante que não há melhor remédio do que a dança de salão.

Mas, segundo ele, alguns ritmos vão além de melhorar a pele ou curar a timidez, liberando o lado sensual que existe em todos nós. “A dança seduz. O movimento lascivo de quadril, pernas e braços, faz com que as pessoas esbanjem sensualidade em ritmos como o samba, a salsa e o tango”, comenta Carlinhos com a experiência de 30 anos na dança de salão.

EXERCITE-SE BRINCANDO

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Já está mais do que comprovado que a prática regular de exercícios físicos é fundamental para um corpo e mente saudáveis. Mas não é todo mundo que encara com prazer as horas de malhação e suor em uma academia de ginástica. Se você se encaixa neste perfil a dança a dois é uma ótima opção. “A dança de salão é lúdica, e o exercício acontece em meio à diversão. É muito mais fácil aderir à atividade, ou seja, começar e não querer mais parar. E é só desta forma, com continuidade, que a atividade física pode trazer benefícios à saúde”, explica a médica Izabela Lucchese Gavioli.

Professora, desde 2001, da disciplina “Dança e Saúde” do curso de pós-graduação em Dança, da PUC-RS, Izabela convive com a dança desde os cinco anos. Ela é formada em balé clássico e, ao longo da carreira, adicionou a sua formação as danças de salão, contemporânea e folclórica, entre outras atividades artísticas. Como professora ela procura unir seus conhecimentos práticos e acadêmicos na medicina e na dança, colocando uma a serviço da outra.

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A médica explica que a dança de salão é uma atividade aeróbica, que aumenta o gasto calórico, a força e a flexibilidade. Até mesmo a atividade mais leve de alunos iniciantes serve como prevenção de problemas cardiovasculares, sendo excelente para melhorar a circulação dos membros inferiores. “As contrações musculares da panturrilha funcionam como uma suave massagem nas veias, melhorando o retorno venoso, que é a volta do sangue bombeado pelo coração para a periferia”, explica.

A dança também trabalha a consciência corporal, corrigindo a postura e funcionando como terapia e fisioterapia, prevenindo doenças como osteoporose, depressão, problemas nas articulações, além de controlar a pressão arterial, a taxa de colesterol e o diabetes, entre outras. “Se analisarmos a cura sob o aspecto da ausência de sintomas e dispensa de medicamentos, a dança tem efeito curativo”, diz Izabela, que recomenda a atividade para homens e mulheres, dos oito aos 80 anos.

O PORTAL DANÇA EM PAUTA ADVERTE: QUEM NÃO DANÇA NÃO SABE O QUE ESTÁ PERDENDO!

Depois desta aula teórica sobre as inúmeras vantagens que a dança de salão pode lhe proporcionar, só resta sentir na prática. Confira alguns dos gêneros de daça a dois e seus benefícios, escolha o seu e VEM DANÇAR!

Foto: Cláudio Etges
Foto: Cláudio Etges
  • Salsa, Merengue e Forró – trabalham com o abraço aberto, utilizando mais movimentos de braços, desenvolvendo a coordenação motora. Bons para quem quer emagrecer, pois são atividades aeróbicas.
  • Tango e Samba de gafieira – os troncos dos parceiros trabalham mais próximos, exigindo ótima postura, com abdome e pelve bem posicionados, além de alongamento e projeção dos membros inferiores.
  • Bolero – assim como o tango, desenvolve sensualidade, elegância e equilíbrio. Tem características semelhantes as do tango e do samba, porém sem tanta exigência física, sendo recomendado para aqueles que estão iniciando uma atividade na meia idade.
  • Zouk – exige grande trabalho de segmentação vertebral, utilizando todos os movimentos da coluna (flexão anterior e lateral, extensão, rotações) em todos os segmentos articuláveis (cervical e tóraco-lombar). Também é ótimo para queimar calorias.
  • Soltinho – trabalha com o abraço aberto, enfatizando a habilidade de membros inferiores na atenção aos contratempos.
  • Bachata – os troncos são mais próximos e é a vez de soltar o quadril, trabalhando-se o isolamento e soltura da pelve.
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Diretora do portal Dança em Pauta | Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de comunicação. Trabalhou em publicações segmentadas na área de entretenimento e cultura em Curitiba-PR, Maringá-PR e São Paulo-SP. Em 2010, lançou o portal Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. É coautora do livro “200 anos de Dança de Salão no Brasil – Volume 4” (2012), organizado pelo pesquisador Marco Antonio Perna.

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