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Bailarina de projeto social mineiro vence seletiva sul-americana para o Prix de Lausanne, na Suíça

A bailarina Ana Luiza Moraes Sartini, de 14 anos, aluna do Projeto Pé de Moleque do Ballet Vórtice, de Uberlândia-MG, conquistou o primeiro lugar na seletiva sul-americana para o 49º Prix de Lausanne, competição internacional de dança, realizada anualmente na Suíça. O evento é uma fonte para os “olheiros” em busca de novos talentos na dança.

Ana Luiza faz aulas de ballet no projeto social desde os 9 anos de idade e já se destacou em diversos festivais no Brasil e exterior. Participou das finais do Youth America Grand Prix (YAGP), de Nova York, em 2016, 2017 (3º lugar na categoria pré-competitiva/única premiação feminina brasileira neste ano), 2018 e 2019.

Em 2019, a bailarina participou da seletiva brasileira do YAGP, em São Paulo-SP, ficando em 3º lugar com a variação clássica Aurora e 3º lugar com o solo contemporâneo Melodia, uma coreografia de Carol Segurado. No mesmo ano, também participou do Festival de Danças de Joinville conquistando 2º lugar com o pax de deux de La Fille Mal Gardée, ao lado do bailarino João Vitor Percilio; 3º lugar com a variação clássica Aurora; e 3º lugar com o solo contemporâneo Melodia.

A bailarina Ana Luiza Sartini, 1º lugar na seletiva sul-americana do Prix de Lausanne. | Foto: Victor Caixeta

Em 2021, o Prix de Lausanne será realizado de 31 de janeiro a 7 de fevereiro. Com o primeiro lugar na seletiva, além de garantir sua participação na competição, Ana Luiza também terá todas as suas despesas pagas pelo evento.

Outro brasileiro que se destacou na seletiva foi Rui Cezar da Cruz, de 17 anos, do Grupo Cultural de Dança – Ilha, do Rio de Janeiro. Ele ficou em 3º lugar e recebeu premiação em dinheiro, oferecida pela marca Só Dança, para custear as despesas com o transporte. O bailarino já criou uma campanha em um site de financiamento coletivo para levantar o dinheiro para as demais despesas. Quem quiser ajudar é só acessar a Vakinha.

O bailarino Rui Cezar da Cruz, 3º lugar na seletiva sul-americana. | Foto: Rodrigo Buas

Além dos três primeiros colocados, os sete bailarinos finalistas na seletiva sul-americana garantiram inscrição gratuita para a seletiva em vídeo que acontece neste mês. Entre eles, estão quatro brasileiros: Luiza Falcão, do Grupo Cultural de Dança Ilha, Rio de Janeiro-RJ; Andrey Jesus Maciano, do Balé Jovem de São Vicente, São Vicente – SP; João Felipe Domingos, do Basileu França, de Goiânia-GO; e Kayke Nogueira Carvalho, da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, de Joinville-SC.

Investimento em talentos brasileiros

O Prix de Lausanne é uma das mais importantes competições internacionais de dança, recebendo, desde 1973, jovens bailarinos de 15 a 19 anos que buscam seguir uma carreira profissional. Ao final da competição, muitos deles garantem bolsas de estudo ou contratos de trabalho em uma das mais de 70 prestigiadas escolas e cias de dança de todo o mundo que apoiam o evento.

Assim como Ana Luiza, outros bailarinos do Projeto Pé de Moleque já foram destaque no Prix de Lausanne. Em 2019, João Victor Percílio recebeu a sexta beka oferecida pela competição, permitindo que escolhesse uma das renomadas escolas apoiadoras do evento para estudar. Hoje, ele é aluno da San Francisco Ballet, nos Estados Unidos. Antes dele, Victor Caixeta recebeu 18 bolsas de estudo e, atualmente, é uma das estrelas do Ballet do Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, na Rússia. Outro bailarino do projeto, que trilhou o sucesso após participação no Prix de Lausanne, foi Daniel Robert, contratado pelo Ballet Nacional da Holanda.

“A oportunidade de participar do Prix de Lausanne faz toda a diferença na carreira de um jovem talento. Abre muitas possibilidades de um futuro e de uma carreira promissora”, comenta Guiomar Boaventura, idealizadora e diretora artística do Projeto Pé de Moleque.

Criado em 1997, o Projeto Pé de Moleque tem como objetivo dar oportunidades de crescimento pessoal e profissional a crianças e jovens de baixa renda por meio do ballet clássico. O trabalho realizado por Guiomar, junto com o professor russo Vladimir Rybyakov, busca valorizar as capacidades individuais, mas também encoraja a socialização dos alunos. O foco se divide entre a técnica aprendida com amor e disciplina e o crescimento pessoal dos bailarinos, uma preparação completa para que possam seguir carreira na dança.

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Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de imprensa. Em 2010, lançou o site Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. Trabalhou em publicações segmentadas em Curitiba e São Paulo. Desde 2004, desenvolve trabalho de assessoria de comunicação para profissionais e empresas atuando no planejamento e execução de estratégias de comunicação interna e externa, produção de conteúdo, publicações corporativas e assessoria de imprensa.

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