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39º Festival de Dança de Joinville: a expectativa dos selecionados para a mostra competitiva

O Festival de Dança de Joinville é um dos momentos mais esperados para a comunidade da dança do Brasil e, na edição de 2022, ser selecionado para se apresentar nos palcos do evento foi mais concorrido do que nunca. Das 4.186 coreografias inscritas, um recorde na história do festival, foram selecionadas 2.075, representadas por 550 grupos de todo o país. Destas, 1.556 coreografias irão para os palcos abertos e 519 para a mostra competitiva no disputado palco do Centreventos Cau Hansen.

Para muitas escolas, que inscrevem dezenas de coreografias anualmente, o mês de julho é sinônimo de dançar em Joinville. Esses grupos construíram uma história consolidada com o festival, aprovando vários números para a competição e voltando para a casa com a mala cheia de premiações. É o caso do Balé Jovem de São Vicente, escola do litoral paulista, que participa do evento desde 2003, primeiro ano do projeto, quando aprovou uma coreografia para o palco Meia Ponta. Para a mostra competitiva desta 39ª edição, o grupo está ensaiando 19 trabalhos, entre coreografias e variações. “Nossas expectativas são as melhores. Fomos aprovados em balé clássico, jazz e contemporâneo com o mesmo grupo e é isso que buscamos, a versatilidade do bailarino”, conta Geyssa Alencar, que dirige o projeto junto com Sabrina Olímpio. “A gente espera que os alunos saiam muito felizes e realizados do palco e que as apresentações sejam de sucesso”, acrescenta.

Balé Jovem de São Vicente no palco do Festival de Dança de Joinville. | Foto: Maykon Lammerhirt.

As diretoras, que, quando crianças, participaram do festival como bailarinas, reconhecem a importância do evento catarinense na formação dos alunos. “É um festival que abre nossos olhos para o mundo da dança. A gente conhece muita coisa, vê muito trabalho bom. Sempre foi muito especial para nós, então, desde que iniciamos o sonho de ter uma escola, queríamos levar essa oportunidade para os nossos bailarinos”, ressalta Geyssa.

Apesar dos mais de 1.000 km de distância, outro grupo que está sempre presente em Joinville é o Balé do Teatro Escola Basileu França, instituição pública de ensino de artes de Goiânia (GO). Na competição deste ano, o grupo será representado por 167 bailarinos divididos em 34 trabalhos, incluindo coreografias e variações. “Vamos em três ou quatro ônibus. Saímos de Goiânia com um verdadeiro comboio, desde alunos, monitores, professores, fisioterapeutas e equipe da cozinha”, conta Simone Malta, coordenadora de dança da escola.

O grupo viaja para Joinville todo ano desde 2005 e a história construída com o festival é um orgulho para a escola. “Íamos sempre para participar dos cursos e assistir aos espetáculos. Depois fomos nos palcos abertos e, enfim, nos arriscamos a enviar material para a competição. Todos os anos estivemos presentes no festival, crescendo com ele, até que em 2017 ganhamos o prêmio de melhor grupo, foi uma emoção só!”, relata Simone.

A bailarina Vitoria Chiodi, estreante na mostra competitiva do Festival de Dança de Joinville, em 2022. | Foto: arquivo pessoal.

Mesmo sendo muito disputado, o palco do Cau Hansen também recebe bailarinos estreantes em Joinville. Vitória Chiodi, de 14 anos, vai ao festival pela primeira vez em 2022. A bailarina dançará um solo de dança contemporânea na categoria júnior da mostra competitiva, representando a Cia Circuito de Danças Clássicas Jolles Salles, de São Paulo (SP), que já esteve no festival outras vezes. “Vai ser uma experiência incrível, aquele palco gigantesco, aquela plateia maravilhosa, acho que vai ser muito gratificante”, conta Vitória.

Para ensaiar com Jolles Salles, seu professor e coreógrafo, a bailarina viaja algumas vezes na semana de São Carlos (SP), onde mora, para Rio Claro (SP), onde faz aulas. Em uma das viagens, recebeu do professor, de surpresa, a notícia da aprovação. “Na hora não caiu a ficha, porque eu sabia que tinha sido o maior número de coreografias inscritas em Joinville e eu não estava esperando. Eu fiquei: ‘como assim eu passei?’. Foi bem impactante”, recorda Vitória.

Todas as categorias da mostra competitiva são premiadas em primeiro, segundo e terceiro lugar. Os primeiros lugares ganham o direito de dançar novamente, na Noite dos Campeões, além de garantirem vaga para a próxima edição. Apesar do caráter competitivo, os grupos fazem questão de enfatizar que o prêmio não é o foco principal.

“A gente defende muito que a nossa maior premiação é todo o processo de amadurecimento do bailarino, do compromisso com os ensaios, com a arte e com as aulas”, afirma Geyssa.

“Nós pensamos no trabalho pedagógico desenvolvido, no crescimento pessoal e coletivo, na preparação para o futuro profissional. A premiação, se vier, maravilha, mas o calor do público, independente do resultado, talvez seja o melhor prêmio!”, completa Simone.

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Apaixonada por dança e bailarina amadora, é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2021). Tem experiência na área de comunicação, com ênfase em jornalismo radiofônico.

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