Zouk, cambré e dor na coluna

out 21, 2013 7 Comentários por

O zouk é um ritmo cativante, que provoca uma movimentação fluida, sincopada e harmoniosa. A sinuosidade é uma de suas características principais, utilizando vigorosamente as articulações envolvidas no movimento. O esqueleto é exigido como um todo: eixo central, ombros, joelhos, tornozelos…Tudo ondula ao sabor do zouk! Entretanto, de todas as articulações trabalhadas neste ritmo, as que compõem a coluna vertebral são as mais extenuadas. Não seria exagero dizer que o zouk necessita um preparo físico especial e um cuidado técnico a mais que outros ritmos de dança de salão.

Partindo de um estímulo central – a coluna – os movimentos de braços, pernas e cabeça acontecem como consequência. A coluna vertebral realizará movimentos de rotação, flexão lateral, flexão anterior e hiperextensão. Tanto o cavalheiro quanto a dama buscarão as mesmas características rítmicas, mas a movimentação da dama será mais ampla, especialmente no que se refere à mobilidade da coluna. Portanto, as considerações que faremos sobre a segurança da movimentação axial (da coluna) se aplicam principalmente às damas no zouk.

Nossa coluna vertebral é dividida em 4 segmentos: cervical (região do pescoço), torácica (região do peito, ombros e dorso), lombar (região da cintura) e sacral (região abaixo da cintura e nádegas). Nestas regiões, se vistas de perfil, distribuem-se 4 curvas: 2 que apresentam a concavidade para fora, e 2 para dentro. As que apresentam a concavidade para fora chamam-se lordoses, e as que apresentam concavidade para dentro chamam-se cifoses. As curvas fisiológicas (normais) da cervical e da lombar são lordoses, e as curvas fisiológicas da torácica e da sacral são cifoses.

Todos nós temos estas curvas normalmente; elas só serão chamadas de hiperlordose ou hipercifose quando ultrapassarem a angulação habitual. Por exemplo, ao dizermos “eu tenho lordose lombar” estamos nos referindo à curvatura normal deste segmento; se quisermos dizer que temos este segmento exageradamente curvado, deveremos dizer “eu tenho hiperlordose lombar”.

Bem, esclarecidas estas nomenclaturas, que muitas vezes são usadas de forma errônea, lembremos que os segmentos lordóticos (cervical e lombar) são os mais móveis da coluna. O segmento torácico (cifótico) tem menor mobilidade; conectando-se às costelas, tem a importante função de proteger órgãos vitais, e por isto sua menor mobilidade. O segmento sacral, extremidade caudal da coluna, é um conjunto de articulações praticamente fixo, ou de muito pouca mobilidade. Restam à cervical e à lombar, portanto, a tarefa de traduzir a expressividade do tronco em movimentos.

Apesar desta maleabilidade e de sua capacidade de gerar belos movimentos, as regiões lordóticas da coluna são as mais vulneráveis. Suas curvas tem a angulação facilmente extrapolada pela relação de antagonismo desfavorável com o segmento correspondente. Por exemplo: a coluna lombar tem relação direta com o abdome. Se os músculos do abdome estão firmes, a curvatura lombar não exagera, e é protegida. Se, por outro lado, o abdome estiver “solto”, a curva lombar fica desassistida, vulnerável e instável. Os músculos paravertebrais, que correm paralelamente à coluna, dando a ela sustentação, entenderão que há risco de lesão, e se contrairão para evitá-la. É uma contratura com intenção protetora, mas dolorosa.

Da mesma forma, a lordose do segmento cervical deve administrar o peso da cabeça, mantendo-a alinhada. Nosso pescoço é um trecho anatômico que abriga importantíssimas estruturas (artérias, veias, nervos, traqueia, esôfago, bulbo raquidiano, etc…), mas é protegido por uma camada muscular muito discreta, se considerarmos a delicadeza e relevância destas partes. Assim, o trabalho cervical desejável no zouk deveria ser consequência da movimentação de coluna dorsal e ombros. Alinhada em continuidade, a cervical movimenta-se com mais segurança, evitando lesões como deslizamentos e hérnias discais; os músculos que sustentam o pescoço não precisam trabalhar tanto para protegê-lo, e as contraturas musculares serão evitadas. Os ombros permanecerão na posição correta, longe das orelhas; e o movimento da cabeça não parecerá “quebrado”, dissociado do corpo como um todo. Como podemos perceber, além de ser uma questão de saúde, a boa articulação da coluna no zouk é também uma questão técnica, estética e de qualidade de movimento.

Uma das maiores dificuldades da evolução da dança de salão em âmbito de ensino e atuação cênica é reconhecer as habilidades desejadas que não são trabalhadas pelo método, e desta forma, entender que estas ferramentas precisam ser buscadas em outras técnicas. O zouk é um ótimo exemplo disto. As habilidades necessárias a um movimento harmonioso, elegante, correto e seguro neste ritmo necessitam de valências físicas que não fazem parte do programa de dança de salão habitualmente aplicado nas escolas. Tampouco a movimentação do zouk simula ou reproduz a amplitude de nossos movimentos cotidianos, fugindo claramente ao pressuposto de outras danças de salão, que “são para todos”.

O cambré, movimento de hiperextensão da coluna muito realizado pelas damas no zouk, é nomeado a partir da língua francesa, e significa “curvado” ou “arqueado”. É a nomenclatura usada na técnica de ballet clássico para designar o movimento de souplesse en arrière, ou “flexibilidade para trás”, da coluna. Realizar um cambré exige alguns cuidados:

  • O cambré tem o quadril e a pelve como base de sustentação. Não se deve simplesmente “jogar as costas para trás”, nem atirar o quadril para frente, como uma “umbigada”;
  • Os músculos abdominais devem ser fortes e flexíveis;
  • Os pés devem estar bem posicionados (alinhados com o quadril) e os glúteos não devem estar soltos;
  • A coluna deve se comportar como um arco que primeiro se alonga, se projeta, aumenta de comprimento, para somente depois se dobrar. Uma imagem eficiente é pensar num canudo de refrigerante articulado: se deixarmos a mola fechada, o canudo dobra com mais dificuldade e menos amplitude. Se abrirmos a mola, aumentando a extensão do canudo, ele dobra com menos resistência e em amplitude maior;
  • O cambré sempre começa “crescendo”, com a sensação de deixar leves a cabeça, os ombros, as escápulas (antigamente chamadas “omoplatas”), as costelas, e só depois articular a coluna lombar. Nunca se deve começar o cambré “dobrando a cintura”; isto aumenta muito a chance de dores lombares, enfraquecimento dos músculos abdominais, hérnias de disco e problemas de nervo ciático;
  • A cabeça deve ser um prolongamento da coluna, nunca deve ser “abandonada”, ou cair relaxada para trás;
  • O retorno do cambré é tão importante quanto a ida. Não é um “puxão de braços” que faz o cambré retornar, assim como também não é a força do cavalheiro, isoladamente, que impede a dama de tombar ao chão no ângulo máximo do cambré. A musculatura abdominal está permanentemente ativada;
  • A respiração é ritmada e conectada com o fluxo de movimento, transmitindo leveza e conforto ao realizar o movimento. Preferencialmente, inspira-se ao descer o cambré e expira-se ao retornar. Outras respirações são possíveis, mas quando em improviso, esta é a mais orgânica, e também a que mais protege a coluna lombar.

Se todos os passos anteriores forem executados corretamente, não haverá força excessiva nos braços, o cavalheiro não precisará fazer tanta força e o retorno do cambré será mais elegante. A ligação com o passo seguinte será mais natural e fluida.

Perceba a diferença entre o cambré realizado por bailarinas de ballet clássico e de zouk. É claro que há uma referência estética diferente no zouk, permitindo a flexão dos joelhos; entretanto, muitas vezes isto acontece para permitir um cambré mais amplo, se a técnica de movimentação da coluna não foi realizada corretamente. Se a pelve não estiver estável e a dama “se atirar para trás” no cambré, os joelhos certamente se dobrarão.

Quantos detalhes, não? Parece mesmo que a técnica de zouk tem exigências bem altas. Provavelmente, em aulas habituais deste ritmo, nem há tempo para trabalhar esta técnica, nem os professores estão familiarizados com ela. Naturalmente, pois este rol de habilidades não faz parte das danças populares. Entretanto, se pensarmos no zouk como uma dança de características cinéticas peculiares e maior projeção cênica, seria honesto dizer que, de fato, dançar zouk não deve ser para qualquer aluno. É recomendável um preparo técnico e físico com profissionais familiarizados com estes fundamentos.

Para professores e artistas que se apresentam profissionalmente, nossa sugestão seria, sem dúvida, tomar aulas regulares de ballet clássico. Para alunos que dançam zouk como entretenimento, exercício físico ou de sociabilidade, é justo orientá-lo a buscar uma preparação física extra, e até mesmo solicitar uma liberação médica para participar das aulas. Em nosso entendimento, o zouk não é adequado para alunos com doenças de coluna como espondilolistese (deslizamento de vértebras), hérnias de disco e osteoporose, só para citar alguns exemplos. Alunos com grande volume abdominal também não devem praticá-lo, pois seu centro de massa estará grandemente deslocado; além de não ser seguro, comprometerá a correta execução dos movimentos. Será mais proveitoso realizar um trabalho físico que contemple a saúde como um todo e, depois de melhorias (por exemplo, redução de peso, fortalecimento muscular, trabalho de flexibilidade), procurar as aulas de dança.

Exemplo correto de movimentação da coluna cervical em continuidade ao dorso.

Osteoartrtite (degeneração da cartilagem) e escoliose (desvio lateral da coluna) não são, por si sós, contraindicações a dançar zouk, desde que estejam acompanhadas por um programa de condicionamento físico e reeducação postural. O professor de dança deve ser capaz de identificar problemas posturais e encaminhar o aluno à reeducação; o educador físico e o fisioterapeuta são profissionais essenciais neste trabalho.

Também acreditamos que um programa de ensino de zouk adaptado ao grupo de alunos pode proporcionar excelentes resultados, se respeitadas a faixa etária e as condições prévias de cada participante. É possível trabalhar o zouk mantendo suas características de movimento (sinuosidade, fluidez, leveza) mudando o percurso pedagógico, em um processo mais lento, em menores amplitudes articulares, com maior cuidado técnico e – por que não? – incluindo exercícios de preparação física na aula. Basta que o professor queira e saiba, e que os alunos tenham maturidade para entender que nem sempre a aula de dança de salão é apenas para dançar livremente e se divertir. Não é divertido se machucar dançando.

Após uma aula, ensaio ou apresentação de zouk é fundamental proporcionar compensações às áreas mais exigidas da coluna. É claro que o tempo de uma aula de dança de salão é sempre curto para tudo que se deve e deseja fazer. O professor deve eleger prioridades. No caso do zouk, sem dúvida, a prioridade é a compensação da coluna lombar e cervical. A prática adicional de Pilates, Gyrotonic ou Yoga podem ajudar muito.

Posições de compensação da coluna sugeridas após uma aula de zouk:

Em um estudo conduzido em Santa Catarina (MÓSCA E MENEZES, 2007), avaliando 31 mulheres praticantes de zouk, 76% das que referiram dor lombar tiveram o aparecimento do sintoma após o início da prática do ritmo. Vale salientar que havia, neste grupo, desde damas que apenas frequentavam bailes, passando por alunas regulares, até professoras de zouk.

  • Entre as alunas, 44% apresentaram dores lombares após o início da prática de zouk.
  • Entre as professoras, este número subiu para 75%.
  • Em todas as damas classificadas como somente frequentadoras de festas ou bailes o aparecimento das dores foi após o primeiro contato com o zouk.

Evidentemente, também ocorrem dores na coluna em outros esportes e modalidades, como ginástica artística, esqui, artes marciais, esportes que englobam corrida (futebol, triatlo, tênis, etc.). Ainda assim, a incidência de dor lombar entre praticantes de zouk foi maior que em outras modalidades, chegando a 81% das praticantes; no ballet clássico, esta cifra é de 43%, e nos outros esportes citados chega a 30%. O índice de lombalgia encontrado nas praticantes de zouk é muito próximo ao índice das ginastas rítmicas, mesmo considerando que no zouk a ocorrência de saltos e acrobacias de alto impacto é muito baixa ou praticamente inexistente. Isto demonstra com bastante clareza a importância da preparação física, e reforça as recomendações de cuidado e triagem de alunos. Nestes esportes e práticas também há sobrecargas e superação de limites, mas a preparação física e técnica faz parte da rotina dos praticantes, ao contrário do que geralmente ocorre na dança de salão.

Este mesmo estudo aborda outros aspectos interessantes, como a posição que mais determina dor durante a dança (o cambré) e o tipo de calçado mais utilizado pelas damas estudadas (tênis em 53% delas, sapatilha baixa em 27%, sapato de salto alto em 13% e sapato de salto baixo em 7%). O uso de saltos altos no zouk prejudica ainda mais o já difícil controle corporal e as relações de transferência de peso, sendo recomendadas as sapatilhas baixas, ou no máximo sapatos com saltos entre 2 e 5 cm, com base larga.

A evolução da dor é bastante variável: em indivíduos que já apresentam alguma alteração de saúde, pode ser limitante e até determinar que se pare de dançar zouk. Em indivíduos previamente saudáveis, a dor resolve-se espontaneamente em alguns dias, e responde bem a medidas como calor, repouso e eventualmente fisioterapia. Contudo, esta boa resolução pode ser bastante perigosa, dando a falsa impressão de que se pode retornar à mesma movimentação sem providência alguma. Assim, as lesões crônicas e por esforços e erros repetitivos se estabelecerão. A relação entre a intensidade e a frequência da dor é linear com o tempo de prática de zouk; quanto mais tempo dançando, mais dor.

As reflexões que podem se estabelecer a partir destas ideias são muito importantes para a saúde dos alunos e praticantes de zouk. Embora estejam longe das práticas atuais das escolas de dança de salão, acreditamos na intersecção dos conhecimentos de várias áreas para melhorar nossa arte, nossa saúde e, em última análise, nossa vida. É claro que se pode dançar zouk ou qualquer outro ritmo sem pensar no detalhe, no preparo físico ou técnico. Poderemos ser igualmente felizes, se “sobrevivermos”! Mas o conhecimento nos torna responsáveis pelas mudanças de orientação que podem fazer muita diferença sobre a saúde dos nossos alunos, colegas, e sobre nós mesmos.

Fotos: Daniel Tortora/Dança em Pauta, Deborah Godoy/Dança em Pauta, Divulgação Kadu & Larrisa e banco de imagens

LEITURA RECOMENDADA:

  • GOTTSCHLICH, L. M.; YOUNG, C. C. Spine injuries in dancers. Curr Sports Med Rep; 10(1): 40-4, 2011 Jan-Feb.
  • MÓSCA, L. S.; MENEZES, F. S. Incidência de lombalgia em praticantes de zouk (lambada) do sexo feminino do sul do Brasil. 2007. Disponível aqui | Acesso 30/09/2013
  • SAMPAIO, F. Ballet Essencial. Rio de Janeiro, Editora Sprint, 1996, 157 p.
  • TSUNG, P. A.; MULFORD, G. J. Ballroom dancing and cervical radiculopathy: a case report. Arch Phys Med Rehabil; 79(10): 1306-8, 1998 Oct.
  • WILLADINO, I. C. Dança Zouk: trajetórias do aprendiz. Dissertação de Mestrado. UFRGS, Programa de Pós-Graduação em Educação, 2012 Disponível aqui | Acesso 30/09/2013.

Colunas, Dança e Saúde

Sobre o autor

Médica, bailarina e professora de dança de salão

7 Comentários para “Zouk, cambré e dor na coluna”

  1. Diogo Oliveira says:

    Excelente artigo!!!

  2. Valéria says:

    Sem poder ser utilizado, é “muito bom”, e não serve pra nada!

  3. Victor Hugo Pereira says:

    Ótimo artigo, poderia ser acompanhado com vídeo, mostrando os movimentos que devem ser evitados e os que fazem bem a coluna. Uma parceria com um professor de zouk seria ótimo.

  4. Flávio Ribeiro says:

    Excelente texto no contexto geral. Apenas ressalvo que seria melhor afirmar que o cambré não é para todos ao invés de dizer que o “Zouk não é para todos”. O Zouk é uma dança extremamente versátil e que pode ser dançada de diversas formas, inclusive sem a necessidade de cambréts.

  5. Luís Florião says:

    Olá Isabela (e equipe do Dança em Pauta),
    Parabéns pela pesquisa e por colocar em pauta essa questão tão importante. Em especial sobre as posições de compensação da coluna e pela parte da nomenclatura;
    Gostaria de fazer algumas considerações e colocar questões, se for possível… Provavelmente muitos dos questionamentos seriam rapidamente respondidos em um papo presencial. Escrito, muitas vezes, apesar de estarmos falando a mesma coisa de formas diferentes, gera confusão. Por isso peço desculpas de antemão por alguma coisa que não eu não tenha entendido e esteja comentando ou explicado adequadamente minhas colocações.
    1. Começo com uma pequena lembrança: zouk é música e dança do Caribe, é diversa da nossa dança; Ondula ao sabor da zouk (música), da quizomba (música), do rnb (música)…
    2. Acho que a lambada e a lambada do Rio (também chamada de zouk, zouk brasileiro…) exigem técnica, não preparo especial;
    3. O que seria “um estímulo central”?
    4. Há hiper-lordose basicamente em um dos tipos de cambrês, o da ginástica olímpica;
    5. Cavalheiros fazem menos cambrês, mas ainda fazem muitos, não vejo porque excluí-los;
    6. Quanto à curva lombar, ela fica desassistida em qualquer das técnicas, desde que mal aplicadas. Minha técnica pressupõe relaxamento, creio que fica mais bonito e muito mais seguro;
    7. Cambrês, “não fazem parte do programa de dança de salão habitualmente aplicado nas escolas” de quem não se interessa em estudar, em pesquisar ou pensam que podem perder alunos se passarem técnica… Mas há muitos professores que conheço que tem muito conhecimento – eles dão aulas em congressos de outras danças e nada ficam devendo. Não me parece correto achar que a dança de salão (modalidade que deu origem ao balé), não possa encontrar seus próprios caminhos. Longe de mim, no entanto, deixar de aproveitar outros estudos, mas discordo que seja obrigatório que nossos conhecimentos sejam buscados em outras técnicas.
    8. Também não acho que as outras danças de salão não precisam de técnica como o zouk brasileiro, pois são menos elaboradas. Como exemplo, cito o samba, a salsa, o tango, o lind, o West e ainda alguns tipos de forró – especialmente se se tratar de apresentações e pegadas;
    9. Não vejo como se pode dizer que “O cambré tem o quadril e a pelve como base de sustentação”, muitos dos cambrês ao redor do mundo são de nível 5, ficando a dama totalmente arqueada e relaxada;
    10. Não entendi o que quer dizer “nem atirar o quadril para frente, como uma “umbigada””, pois quase todas as técnicas, especialmente a minha, pressupõem quadril para frente em algum momento – essencial para dar equilíbrio e estabilidade;
    11. São dezenas de variações de cambrês, como falar onde ficará o pé?
    12. Perfeita a afirmação (para os cambrês abertos) que “a coluna deve se comportar como um arco que primeiro se alonga, se projeta, aumenta de comprimento”, mas falar em “para somente depois se dobrar” parece se chocar quando se fala em: “Não se deve simplesmente “jogar as costas para trás””
    13. Existe um tipo de cambrê que chamo de “fechado”, onde o processo é inverso, não começa crescendo e não gera nenhum desconforto ou problemas.
    14. Trabalho preferencialmente com o pescoço relaxado – acho mais bonito (conceito relativo) e muito, muito mais seguro – principalmente para quem é praticante eventual ou pessoas mais velhas;
    15. O Cambrê, até o 4º nível, no meu sistema, é basicamente da dama, não há força do cavalheiro. Ele está lá para conduzir e para ajudar no caso da dama precisar;
    16. Só é cambrê de 5º nível se houver a dobra do joelho;
    17. Em aulas habituais há sim tempo para ensinar o cambrê, em qualquer boa escola – segurança é muito mais importante que os passos. Tirando pessoas com problemas motores, a lambada (zouk brasileiro) é sim para todos;
    18. O cambrê no balé é com os glúteos e com o abdome travados, acho importante ter especial cuidado com a transposição para a nossa dança, pois pode causar lesões sérias;
    19. Concordo que todos devam buscar redução de peso, fortalecimento muscular, trabalho de flexibilidade, mas de forma alguma deixem de praticar, pois o zouk brasileiro é para todos que não tenham restrições médicas, basta procurar uma boa escola. Gostei muito da sua afirmação: “Também acreditamos que um programa de ensino de zouk adaptado ao grupo de alunos pode proporcionar excelentes resultados, se respeitadas a faixa etária e as condições prévias de cada participante.”
    20. Aproveito o espaço para fazer um alerta às damas: aprendam desde o começo a fazer o cambrê independentemente dos cavalheiros, pois muitos não sabem, empurram as damas e antecipam a volta. Muitos não fizeram aulas, fizeram com quem não sabe ou com pessoas que não querem perder tempo em aprender e/ou ensinar.

  6. Regiane Macedo says:

    Olá Izabela,
    Muito obrigada pelo levantamento de questões extremamente importantes dentro da dança, principalmente dentro do zouk lambada, onde existe tanto trabalho corporal e tão pouco estudo de como é a melhor forma de fazer.

    Concordo com o Prof. Florião no sentido de que a dança é para todos sim, desde que respeitadas as devidas limitações, principalmente por parte de quem ensina, afinal o aluno na maioria dos casos não tem nenhum conhecimento sobre o que ele pode ou não pode fazer.

    Também acredito que não existe uma obrigatoriedade em se estudar o ballet para se melhorar a dança de salão, visto que a mesma praticada de forma correta e profissional exige-se conhecimentos diferenciados e tão profundos quanto. Mas claro que qualquer tipo de conhecimento e vivência corporal e técnica contribui para a formação de um corpo mais preparado ampliando suas possibilidades de respostas e até mesmo novas possibilidades.

    Acredito que está mais do que na hora das pessoas entenderem que qualquer dança exige muito estudo, muita prática, e no caso de um profissional, ele deve saber que deverá se dedicar infinitamente a isso, pois só assim conseguiremos levar a dança para o local sagrado de destaque que merece.

    Estamos muito longe disso ainda, mas sei que o caminho do questionamento e estudo constante é o único que deve ser percorrido.

    Deixo aqui minha sincera gratidão a todos os profissionais sérios da dança por essas informações tão preciosas que gerarão frutos melhores ainda.

    Fiquem com Deus e muita Luz a todos!

    Namastê

  7. Aparecida says:

    Maravilhoso artigo!! Uma excelente “CONTRIBUIÇÃO” a saúde e ao bem estar dos apaixonados por esse ritmo maravilhoso!

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